segunda-feira
solidão, foge que eu te encontro. pois já tenho asas.
a solidão é na verdade... acho que ela não passa de uma sobreposição de todas as suas camadas, num único momento, todas as suas vontades, todas as suas verdades, elas se encaixam em um único espaço de tempo e é ali que você realmente enxerga que desde que você nasceu, você é solitário.
e dizem que a solidão enlouquece. Mas a sua sanidade,na verdade,só vai estar em jogo a partir do momento em que você não é mais sozinho.
ser eu.
Como se eu vivesse na verdade uma promessa de dedo cruzado. O que seria uma promessa de dedo cruzado? Ela seria uma coisa que parece que está acontecendo, mais nunca acontece, que parece que está para ser concebida, mais não é concebida, e ao mesmo tempo é uma coisa que você prova só para você mesmo, para os outros ela tem uma sinceridade, mais não tem para você, então, essa se resumiria a minha filosofia de vida.
domingo
sábado
" I want to reconcile the violence in your heart".
Não te escrevo de um lugar lindo, como imaginei escrever. Te mandar um cartão postal de alguma cidade perdida por aí com um por do sol de arrepiar . Te escrevo daqui, do meu quarto escuro e com cheiro de coca sobre o lençol.
Tento descrever o que se passa aqui dentro, na minha mente mas não dá. Sentimento nunca serão descrito de forma real. Tenho tanto pra contar, dizer...Então deixa eu te contar sobre as músicas que andei escutando , os versos e melodias que inunda meu coração.
Me deixa te contar dos filmes que andei vendo, dos caminhos que refiz, dos livros que descobri escondidos aqui em casa. Me deixa te contar da saudade que sinto, do sentimento bom e bonito que é sentir saudade. Me deixa te contar desse tempo quente mas frio aqui dentro, me deixa vá... me deixa te contar. Tenho tanto pra dizer!
Não tomarei muito do seu tempo e da sua vida, serão dois ou três suspiros e então a despedida, dessa vez bem contida, como não poderia deixar de ser.
Quero te contar da vontade que sentir de bater na sua porta e te roubar pra mim, simples assim pra gente ir, seguir... Como se não existisse um passado, como se não existisse ninguém além de tu e eu. Como se nossas conversas ainda não fossem desperdiçadas com a insensibilidade humana.
Não, não quero te convencer de nada. Só quero imaginar.
Será apenas eu e você, a minha mão na sua mão, nosso abraço , nosso beijo.
Há tempos que não te vejo, não te toco, não te escuto sonoro perto de mim. Lembra que te falei que não nasci pra viver na superficialidade? Assim, não sei mensurar espaço e distância . E acho que esse encontro ao menos parece digno de não ser engavetado, evitado, voluntariamente desmemorado das minha, dua tua memória.
Tenho aqui comigo uma última carta sem papel e caneta, as minhas últimas palavras, letras combinadas que passei esses dias evitando, adiando e prolongando. Vou ler nos seus ouvidos – no meio do silêncio absoluto – e em seguida eu saio, vou embora, anuncio que chegou a hora, a nossa hora, de nos enganarmos pensando que podemos ser felizes esquecendo pessoas.
domingo
Sábado - Domingo
Álcool - cigarro.
Estou torta de tão bêbada, cheiro de cigarro no cabelo, nas mãos e em meus lábios. Cabelo molhado de suor. descuidado, blusa amarrotada e minha sandália molhada, lama, grama. Hoje tenho histórias, desventuras boêmias por esses bares daqui do centro. De repente uma voz longe " Temos nosso próprio tempo". Tempestade à vista, sentimentos tristes aguçam com o álcool. Amor - desamor.
Desapego - apego. Nós - nó. E o que sobra é esse grito entalado na garganta, o vazio entre os dedos. Depois de dois longos gole de cerveja gelada, sorrio.
Sorrio como se fosse agora livre, simplesmente livre. Cantando, dançando e desaforando a vida. Duas vezes mais escritora e uma dúzia de vezes mais apaixonada com meu sorriso pecaminoso e libertino. Me transformei em poesia desarmoniosa em um guardanapo rabiscado. Estou amando, amando e amando. Não amo alguém . Amo minha vida, paixão por ela ser agora tão minha. Mas ela acabou partindo, saindo... indo.. adiante.
Hoje, ao lado da escrivaninha achei um bilhete , ela me avisando que irá rodar o mundo , que quer ser livre, que quer abraçar o vento, o sol. Conhecer outros corações se identificar com outras almas. Ela foi viver. Mas, eu sei que ela volta como já partiu e voltou outra vez. Ela volta quando eu decidir que a quero aqui comigo, quando eu voltar a olhar no espelho e reconhecer naquele reflexo que ela não depende de ninguém pra ser feliz. Que só ela me basta.
Daí , levantei , atravessei a rua estalando os dedos e a filha da puta da vida continua por aí se encontrando em alguns corpos desconhecidos, me deixando como quadro morto e desbotado dentro de casa.
sábado
meu coração.
Meu coração bate sem saber que meu peito é uma porta que ninguém vai atender. Quem sente agora está ausente, quem chora agora está por fora. Quem ama agora está na cama doente, só corre nunca chega na frente, se chega é pra dizer vou embora sorriso não me deixa contente. E todas as pessoas que falam pra me consolar parece um bocado de boca se abrindo e fechando sem ninguém pra dublar eu já disse adeus antes mesmo de alguém me chamar. Não sirvo pra dá concelho, quebrei o espelho, torci o joelho, não vou mais jogar.
terça-feira
Ir .
Eu quero morar no mar. Uma casa de madeira, com uma cerquinha branca. Dois quartos, uma cozinha pequena e uma sala grande com 3 janelas sem cortinas que é para não esquecer que existe um mundo lá fora pronto pra me abraçar toda vez que aqui dentro as coisas escurecerem. Um horizonte longe que não consigo alcançar com meus olhos. Na entrada da casa um tapete colorido sempre cheio de areia, dois coqueiros e uma rede amarrada entre eles. Quero cores, paredes coloridas, porta retrato com sorrisos.
Quero acordar com o sol, não quero teto no quarto, quero dormir vendo a lua. Quero ver as estrelas adormecendo e as nuvens passeando. Os pássaros se arrastando.
Quero um travesseiro azul com bolinhas brancas e deitada sobre ele quero olhar pro céu e pincelar nos dedos as estrelas que se parecem tão solitárias e tão perdida na silenciosa madrugada.
Eu quero amar. Quero amar como os amantes, como amam as cartas, como amam as lágrimas de saudades, os abraços na rodoviária. Quero amar como os bilhetes improvisados nos guardanapos. Não quero dias, semanas, relógios, nomes, datas. Só quero o tempo. Todo o tempo que existe no mundo que é pra conseguir respirar leve, sem pressa. Sem precisar acordar outra vez triste, pesada no meio do vazio que é a vida.
Um dia irei, irei pra longe construir minha casa.
Não irei aparecer no trabalho, no bar, na praça. Não direi nada, nem deixarei nada escrito e todos saberão que fui pra não mais voltar.
portas.
Ela.
Escritora das desilusões , dos desencontros, das palavras tristes, rimadas, das dores que ficam indo e voltando por seus olhos marejados , escancaradamente encantadas como cortinas de seda.
Ela, que esteve a tua procura , de vermelho, vestida como uma atriz de cinema , fugiu de algum filme do Almodóvar. Ela, que saiu de cena para dizer coisas bonitas, perdidas, recheadas de mentiras gostosas.
Ela, que quis um sussuro no seu ouvido, uma lambida na altura do pescoço, por cima dos seus ombros arrepiados de uma vontade deliciosa e perigosa de abrir de vez a porta da alma, desta alma que grita, que lateja, que chora, que pede mansinho e sereno uma chance de ser livre hoje, agora, nesse segundo.
Você me deixa entrar?
segunda-feira
Requiem for a Dream
Hoje eu resolvi sair. Olhar a rua, desvendar olhares de estranhos sem precisar dizer uma palavra. Sorrir com outros sorrisos, encontrar novos caminhos.
Hoje eu resolvi sair pra tentar ver até onde eu consigo seguir para além dessas casas que vejo na minha frente. Hoje eu sair, tentando encontrar uma faísca, um ponto, um traço, uma linha de vida que respire mais do que o próprio tempo.
Não. Não quero nada que seja eterno, só quero uma faísca pra confortar esse frio aqui dentro. Alguém que eu possa esbarrar sem querer virando alguma esquina e sentir de novo aquele sufoco no peito. Alguma razão no mundo pra eu não ter que voltar pra casa cedo.
Sentar no banquinho da praça, sentir suas mãos em meus joelhos , sua respiração em meus ouvidos. O vento balançando os versos do Dylan e um céu lindo parado ali em cima vendo tudo, em silêncio. Agora, só a voz rouca do Dylan cantando um verso de alguma música.
Hoje, ter com quem dormir, ter com quem acordar, e ter por perto uma saudade que queime, que arde, que doa de tão irreparável, inevitável e necessária.
Um amor para a vida inteira, mesmo que dure só para hoje, agora enquanto a lua vai seguindo por esse céu escuro.
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