segunda-feira

Requiem for a Dream

Hoje eu resolvi sair. Olhar a rua, desvendar olhares de estranhos sem precisar dizer uma palavra. Sorrir com outros sorrisos, encontrar novos caminhos.
Hoje eu resolvi sair pra tentar ver até onde eu consigo seguir para além dessas casas que vejo na minha frente. Hoje eu sair, tentando encontrar uma faísca, um ponto, um traço, uma linha de vida que respire mais do que o próprio tempo.
Não. Não quero nada que seja eterno, só quero uma faísca pra confortar esse frio aqui dentro. Alguém que eu possa esbarrar sem querer virando alguma esquina e sentir de novo aquele sufoco no peito. Alguma razão no mundo pra eu não ter que voltar pra casa cedo.
Sentar no banquinho da praça, sentir suas mãos em meus joelhos , sua respiração em meus ouvidos. O vento balançando os versos do Dylan e um céu lindo parado ali em cima vendo tudo, em silêncio. Agora, só a voz rouca do Dylan cantando um verso de alguma música.
Hoje, ter com quem dormir, ter com quem acordar, e ter por perto uma saudade que queime, que arde, que doa de tão irreparável, inevitável e necessária.
Um amor para a vida inteira, mesmo que dure só para hoje, agora enquanto a lua vai seguindo por esse céu escuro.