Longe é o lugar que a gente pode viver de verdade.
terça-feira
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Ah meu bem, eu sou o que sou, mas finjo também. É preciso mistério e provocação Mostrar o que se deve e ocultar o que não. Sou uma mulher incomum sim, Mas veja que o comum está contido no "in". Há dias que serei cinza e em outros carmim.
E assim sou, fútil e sensível, capaz de impulsos violentos e absorventes, maus e bons, nobres e vis, mas nunca de um sentimento que subsista, nunca de uma emoção que continue, e entre para a substância da alma. Tudo em mim é a tendência para ser a seguir outra coisa; uma impaciência da alma consigo mesma, como com uma criança inoportuna; um desassossego sempre crescente e sempre igual. Tudo me interessa e nada me prende.
quarta-feira
Ah, Não.
Não deixe sua graça escorrer pelo rosto!
terça-feira
Sim, é o fim. Desisti de tudo o que implica o teu nome ou a tua presença, já nem expressões de ternura tento desenhar quando olhas para mim. A nossa história deixou de existir no segundo em que a tua pele desvaneceu pelo olhar de alguém que não eu.
domingo
Sei lá, tanta coisa eu tenho aqui pra te dizer...
Tanta coisa eu tenho em mim pra falar pra você.
Tanta coisa eu tinha mas não tenho mais, tanta coisa que ficou pra trás, mas agora vai.
Agora vai ficar meio ridículo, como todas as cartas de amor, que eu nunca te escrevi.
Agora, se você tivesse aqui, se você quisesse ouvir, agora, se você pudesse me seguir, eu ia te levar pra conhecer todo aquele sentimento que eu não soube te dizer.
Se você pudesse vir, se você pudesse ver, aqui dentro, onde o tempo não soprou o vento que faz esquecer, eu ia dizer tudo de uma vez...
Não sei, eu acho que eu não ia dizer nada.
Ou fazia tudo ao mesmo tempo, gritando o meu silêncio na nossa voz calada.