terça-feira

portas.

Ela.
Escritora das desilusões , dos desencontros, das palavras tristes, rimadas, das dores que ficam indo e voltando por seus olhos marejados , escancaradamente encantadas como cortinas de seda.
Ela, que esteve a tua procura , de vermelho, vestida como uma atriz de cinema , fugiu de algum filme do Almodóvar. Ela, que saiu de cena para dizer coisas bonitas, perdidas, recheadas de mentiras gostosas.
Ela, que quis um sussuro no seu ouvido, uma lambida na altura do pescoço, por cima dos seus ombros arrepiados de uma vontade deliciosa e perigosa de abrir de vez a porta da alma, desta alma que grita, que lateja, que chora, que pede mansinho e sereno uma chance de ser livre hoje, agora, nesse segundo.
Você me deixa entrar?