terça-feira

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Eu quero morar no mar. Uma casa de madeira, com uma cerquinha branca. Dois quartos, uma cozinha pequena e uma sala grande com 3 janelas sem cortinas que é para não esquecer que existe um mundo lá fora pronto pra me abraçar toda vez que aqui dentro as coisas escurecerem. Um horizonte longe que não consigo alcançar com meus olhos. Na entrada da casa um tapete colorido sempre cheio de areia, dois coqueiros e uma rede amarrada entre eles. Quero cores, paredes coloridas, porta retrato com sorrisos.
Quero acordar com o sol, não quero teto no quarto, quero dormir vendo a lua. Quero ver as estrelas adormecendo e as nuvens passeando. Os pássaros se arrastando.
Quero um travesseiro azul com bolinhas brancas e deitada sobre ele quero olhar pro céu e pincelar nos dedos as estrelas que se parecem tão solitárias e tão perdida na silenciosa madrugada.
Eu quero amar. Quero amar como os amantes, como amam as cartas, como amam as lágrimas de saudades, os abraços na rodoviária. Quero amar como os bilhetes improvisados nos guardanapos. Não quero dias, semanas, relógios, nomes, datas. Só quero o tempo. Todo o tempo que existe no mundo que é pra conseguir respirar leve, sem pressa. Sem precisar acordar outra vez triste, pesada no meio do vazio que é a vida.
Um dia irei, irei pra longe construir minha casa.
Não irei aparecer no trabalho, no bar, na praça. Não direi nada, nem deixarei nada escrito e todos saberão que fui pra não mais voltar.