sábado

" I want to reconcile the violence in your heart".

Não te escrevo de um lugar lindo, como imaginei escrever. Te mandar um cartão postal de alguma cidade perdida por aí com um por do sol de arrepiar . Te escrevo daqui, do meu quarto escuro e com cheiro de coca sobre o lençol. Tento descrever o que se passa aqui dentro, na minha mente mas não dá. Sentimento nunca serão descrito de forma real. Tenho tanto pra contar, dizer...Então deixa eu te contar sobre as músicas que andei escutando , os versos e melodias que inunda meu coração. Me deixa te contar dos filmes que andei vendo, dos caminhos que refiz, dos livros que descobri escondidos aqui em casa. Me deixa te contar da saudade que sinto, do sentimento bom e bonito que é sentir saudade. Me deixa te contar desse tempo quente mas frio aqui dentro, me deixa vá... me deixa te contar. Tenho tanto pra dizer! Não tomarei muito do seu tempo e da sua vida, serão dois ou três suspiros e então a despedida, dessa vez bem contida, como não poderia deixar de ser. Quero te contar da vontade que sentir de bater na sua porta e te roubar pra mim, simples assim pra gente ir, seguir... Como se não existisse um passado, como se não existisse ninguém além de tu e eu. Como se nossas conversas ainda não fossem desperdiçadas com a insensibilidade humana. Não, não quero te convencer de nada. Só quero imaginar. Será apenas eu e você, a minha mão na sua mão, nosso abraço , nosso beijo. Há tempos que não te vejo, não te toco, não te escuto sonoro perto de mim. Lembra que te falei que não nasci pra viver na superficialidade? Assim, não sei mensurar espaço e distância . E acho que esse encontro ao menos parece digno de não ser engavetado, evitado, voluntariamente desmemorado das minha, dua tua memória. Tenho aqui comigo uma última carta sem papel e caneta, as minhas últimas palavras, letras combinadas que passei esses dias evitando, adiando e prolongando. Vou ler nos seus ouvidos – no meio do silêncio absoluto – e em seguida eu saio, vou embora, anuncio que chegou a hora, a nossa hora, de nos enganarmos pensando que podemos ser felizes esquecendo pessoas.