Álcool - cigarro.
Estou torta de tão bêbada, cheiro de cigarro no cabelo, nas mãos e em meus lábios. Cabelo molhado de suor. descuidado, blusa amarrotada e minha sandália molhada, lama, grama. Hoje tenho histórias, desventuras boêmias por esses bares daqui do centro. De repente uma voz longe " Temos nosso próprio tempo". Tempestade à vista, sentimentos tristes aguçam com o álcool. Amor - desamor.
Desapego - apego. Nós - nó. E o que sobra é esse grito entalado na garganta, o vazio entre os dedos. Depois de dois longos gole de cerveja gelada, sorrio.
Sorrio como se fosse agora livre, simplesmente livre. Cantando, dançando e desaforando a vida. Duas vezes mais escritora e uma dúzia de vezes mais apaixonada com meu sorriso pecaminoso e libertino. Me transformei em poesia desarmoniosa em um guardanapo rabiscado. Estou amando, amando e amando. Não amo alguém . Amo minha vida, paixão por ela ser agora tão minha. Mas ela acabou partindo, saindo... indo.. adiante.
Hoje, ao lado da escrivaninha achei um bilhete , ela me avisando que irá rodar o mundo , que quer ser livre, que quer abraçar o vento, o sol. Conhecer outros corações se identificar com outras almas. Ela foi viver. Mas, eu sei que ela volta como já partiu e voltou outra vez. Ela volta quando eu decidir que a quero aqui comigo, quando eu voltar a olhar no espelho e reconhecer naquele reflexo que ela não depende de ninguém pra ser feliz. Que só ela me basta.
Daí , levantei , atravessei a rua estalando os dedos e a filha da puta da vida continua por aí se encontrando em alguns corpos desconhecidos, me deixando como quadro morto e desbotado dentro de casa.