domingo

Do fim, o breve.

Não é uma história bonita, é uma história de amor. Não é uma história bonita, é uma história sobre o fim, quando já sei que não é uma história bonita, mas simplesmente uma história de amor. Quando já sei que é uma história bonita.
Uma história que começa nos bares, nesses bares sujos da cidade. Uma história que começa com álcool e termina com álcool. Porque todas as histórias de amor precisam destas coisas. Te encontrei em um bar, não lembro a música, não lembro os sons. Lembro que escutei todos menos a melodia da sua voz. Não, eu não estava sóbria, tu sim. Tu bebia água de coco enquanto eu me afogava no gosto amargo da cerveja. Gosto muito do velho safado e às vezes acho que sou ele em uma versão feminina, menos escrota, menos inteligente, menos tudo. Sempre gostei dos menos quando é pra falar de mim. Sabe quem é o velho safado? É um escritor que preferiu escrever sobre a podridão dos seres humanos e que se apoiava no álcool não como forma de proteção, talvez libertação. E por que estou dizendo isso? Porque é uma história de amor e história de amor precisa dessas coisas, de uma revelação e toda revelação precisa desses detalhes.
E as histórias de amor começam com uma encontro entre estranhos, por isso não me surpreendo se eu te fizesse perguntas sobre você para você ou para quem estivesse perto. E nessa altura ainda não tinha imaginado que teria encontrado alguém que me fizesse ser o que talvez sempre fui nesses 28 anos. Mas de que vale eu ser a única a saber? Que droga, em segundos e apenas em um olhar consegui me enxergar em uma história de amor. E você menina, será que já posso revelar teu nome? Você é tão bela que não pode pertencer ao mundo a que as pessoas comuns estão habituadas, e como tudo o que nos foge ou é divino ou selvagem. E essas histórias de amor envolve mesmo o desconhecido. 
Será que você veio do céu? Calma, não dê risadas, você vai entender.
Nesse momento, como já sei da existência de penas, de vidas que transcendem a explicação humana e o plano físico posso acreditar que não pertence a esse mundo. E quer saber mesmo? Alguém já escreveu que o mundo apesar de redondo possui muitas esquinas. E que esquinas são essas que em todos os lugares eu não te encontrava? Será que era vida me preparando pra esse encontro?
Será que tudo isso é um sonho? Porque olha, eu sou uma frustrada, desiludida com a vida, cansada das pessoas. Eu até pensei que era desencantada com a vida, mas uma pessoa desencantada não se apaixona assim e não teme que essa paixão possa partir. Por que afinal faço tantas perguntas? Como em qualquer história de amor, quando começa a se perguntar é porque pelo menos parte de ti já tem respostas. 
Lauren, sim. Eu disse nome dela.
Lauren, que talvez nem seja humana, ou talvez mais humana do que a maioria dos humanos. Mas, talvez seja uma mulher que nem me faça falta, já que todo mundo no final sempre vai embora, sempre machuca, sempre  transforma o beijo doce em lágrima salgada. Lauren, certamente irá fazer o mesmo comigo, mesmo ela sendo humana, mesmo ela não sendo humana.
Sabia, eu avisei.  A perdi durante 5 meses, não a vi em canto algum. O que me faz acreditar naquela teoria que você veio do céu. Mas agora eu a reencontrei, diferente daquele encontro sem vozes, esse tem mais que vozes, tem tato e palavras. 
E tenho tanto pra te dar, meu amor! E talvez por você vim lá de cima não percebeu já que tem tanta coisa antes da terra. Pássaros, nuvens... 
- Lauren,queima as suas asas e fica! Abdica da sua condição ausente.
Ela fez, porque ela assim quis. Não sabendo eu quão duro, difícil é lidar com essa gente que é diferente.
Sim, diferente. Não tem como explicar ou transfigurar o quão diferente é.
Lauren hoje voltou a ser anjo, refez suas asas e foi pra longe. Ainda não tenho noticias, não sei se ela me mandará um cartão postal contando sobre as aventuras lá de cima, do quanto o mundo é mais bonito visto do seu ângulo e as pessoas são mais interessantes vistas de longe. 
Lauren, voou e se foi.
E eu voltei a ser desiludida, frustrada e mais do que nunca me sentindo fracassada.
É só uma história de amor como todas as outras que no final fica só esse gosto amargo de saudade.