Uma vontade enorme de dizer, mesmo o que já foi dito, até cansar. Dá todas as voltas possíveis no interior do proprio cerebro. Dizer, dizer, dizer. Jogar fora!
Quero voltar a tudo o que dói, porque dizer que dói é o primeiro passo para a libertação.
Respirar fundo, conter os dedos sobre o teclado pra não dizer demais, pra não se revelar em excesso, pra não cair no exagero. Porque você pode não ter comprado o bilhete para o meu mundo e, nesse caso, a passagem é gratuita. Mas do que paciência, o passageiro precisaria talvez de estômago pra acompanhar todas as estações de dupla personalidade, melancolia e bipolaridade. E eu, maquinista receio por cada palavra dita, por todas as que se calam e o silêncio que se sobra delas, na verdade é o que sempre foi dito.
"Quem vai chorar, quem vai sorrir ?
Quem vai ficar, quem vai partir ?
Pois o trem está chegando, tá chegando na estação. "(Raul Seixas)