Eu não sei o que me incomoda, até começar minhas lembranças pelas palavras ditas, os beijos, o pedido de cuidado, e o meu coração retalhado de saudade. Essas lembranças dançando em silêncio pelas músicas que te mandei naquele cd confuso. Dá até um arrepio sem jeito no peito, ouvindo devendra banhart , imagino você agora com cara de sono assobiando um trecho errado de Freely. ou de qualquer música que mechem tanto comigo. Eu poderia agora criar uma playlist de músicas que me faz pensar em você, de como me sentir quando você chegou de surpresa destruindo toda a minha mania louca de controlar até meus sentimentos. De como me sentir quando sussurrava, do quanto fui me sentindo livre e querendo abrir os braços pra levantar vôo por que me sentir leve. LEVE, LEVE, LEVE . FREELY! De como me sinto agora com o que sobra até o momento, as lembranças e o silêncio. Sou intensa o bastante a ponto de colocar faísca pra vislumbrar como num filme a exatidão da chegada e da partida. Talvez tudo isso foi apenas um pretexto rápido teu, uma necessidade minha de querer me sentir viva de novo. Algo que estava adormecido em algum canto do peito. Em 3 dias descobri em mim toda a saudade que sofre uma pessoa, toda a verdade que não se encaixa em palavras, em versos, mesmos estes que andam por aí desarmadamente sinceros. Agora meu silêncio tem nome, nobre desabandono do meu coração solitário, que desanda a andar sem pressa. É assim como se fosse uma espécie de encontro do desencontro perfeito, eu e você que andamos tanto sempre nas horas trocadas, erradas, cedo ou tarde demais. E mesmo que as horas e os dias nunca consigam entrar em eixo, mesmo que o tempo lá fora seja maior e mais devorador que o tempo daqui de dentro . Mesmo que tudo se quantifique em como estamos agora, não há nada mais pra você fazer. Você já fez tudo. Já tenho memória sua que durarão pra sempre. Se eu tivesse um desejo, seria que sua vida desse a você o gosto de alegria que você me deu. Que você sinta o gosto de se sentir bem e feliz fazendo alguém feliz. Vão dizer que tudo isso é amor, paixão. Que tudo isso só poderia terminar em um clamando pelo outro de vontade, que tudo isso é bobagem ou sacanagem do destino. Mas eu digo que é só música, meu bem. A minha música que eu também te dei tocando ao fundo, de novo. Pela sexta vez desde que comecei esse texto.
Agora declaro greve aos meus textos recheado de saudade, declaro greve a essas músicas que me remetem há um domingo e uma segunda que só me traz lembranças e me prende de saudade. Tá declarado a guerra.
E carrego desde então o perfume que ficou no nosso desengano. Nunca vai ter fim e esse estará sempre aqui tocando. Lembra de como quantifiquei o meu querer bem por você?
"Todos os arrepios do mundo."
Declarado a guerra, se quiser a paz.. Vem!
Com amor.
B.